Parto Mariana, Hugo, Pedro e Isabel


Em 2015, logo no início do ano (sexta-feira de carnaval), Pedro foi concebido e ali naquela noite iniciamos uma jornada para gestá-lo e recebe-lo da forma mais amorosa possível.

Já com 34 anos e com muitas amigas e familiares com filhos um fato era unânime, todos os bebês haviam nascido de cesárias. Antes mesmo de engravidar, mas observando esse movimento, decidi que iria fazer de tudo para que meus filhos nascessem de parto natural. Na época, entre 2008 e 2010, encontrei alguns vídeos de partos domiciliares, ficava muito emocionada com aquelas imagens, nem imagina que essa possibilidade de parto poderia existir. Naquele momento muito antes de engravidar decidi que o nascimento de meus filhos seria em casa, caso um dia os tivesse.

Voltando para 2015 decidimos que nossa gestação seria tranquila, nada de médicos malucos, nada de intervenções, nada de saber o sexo, nada de ansiedade, nada de entrar na onda do consumismo materno, queria que tudo fosse tranquilo e calmo. Procuramos um curso de gestante e uma equipe de parto domiciliar para nos acompanhar. Fizemos o curso de gestante com o Hanami e com 34 semanas iniciamos o acompanhamento para o parto.

Durante a gestação fiz Pilates, hidroginástica e yoga. Conseguia descansar bastante e me sentia com muita energia. Nas horas vagas pesquisava muito sobre pós-parto e amamentação. Nas consultas com as hanamigas muitas discussões importantes sobre expectativas e realidades. Devido a nossa extrema tranquilidade levamos muitos puxões de orelha na organização prévia do parto. Não fizemos plano de parto, não visitamos maternidades e nem cogitei chamar algum médico. Tinha certeza que o nascimento seria em casa e que tudo iria correr bem.

Quarta-feira, 04 de novembro de 2015 acordo entre 7h e 7:30h (dia de feira), 39 semanas e alguns dias de gestação, o dia anterior foi meu último dia de trabalho (ufa iria descansar!). Sinto um barulho suave, imagino que a bolsa havia rompido e confirmo isso indo ao banheiro. Aviso o marido que foi a feira sozinho, as enfermeiras fui avisar perto das 10:30h, tínhamos uma consulta naquela tarde e estava longe de um trabalho de parto. Descansei, comi, ajudei o marido com algumas coisas da casa, na consulta fui avaliada, estávamos bem, combinamos que a noite duas enfermeiras da equipe iriam me acompanhar pela madrugada. Juliana e Fran chegaram perto das 21:30h, passeamos com os cachorros, jantei , tomei um banho e fui dormir.

Entre 00:30h e 01:30h começou o trabalho de parto ativo, não consegui dormir muito e ao som do ronco do marido pulei para uma bola de Pilates e lá fiquei até amanhecer, as dores aumentado gradualmente, cochilos breves entre as contrações, bebê super ativo fazendo muito movimentos. As meninas monitorando o bebê e tudo correndo bem. Perto das 12h uma tentativa de almoço, que foi frustrada, bebi algum suco e já com bastante desconforto, achava que aquilo já estaria no fim (ilusão de primeiro parto). Não sai da bola de Pilates por todo esse tempo, só lá conseguia controlar a dor. Com muita insistência da Joyce tentei dormir um pouco (e consegui por uma hora), acordei mais disposta e fui para o chuveiro. Saí do banho perto das 14:30h, já com muito desconforto e tendo a certeza que merecia uma anestesia. Dentro de mim achei muitas justificativas para a anestesia, muitas horas de trabalho de parto, cansaço, dor, e por alguma razão achava que o trabalho de parto não estava evoluindo, o bebê depois de tantas horas resolveu descansar e quase não se mexia mais. Queria a anestesia, mas não me via dentro de um carro sentindo aquelas dores, queria uma anestesia em casa, como se isso fosse possível.

A Joyce estava comigo no quarto quando manifestei que achava que o trabalho de parto não estava evoluindo, ela me perguntou por que me sentia assim e disse que poderiam fazer um exame de toque para ver minha dilatação. Reunimos todas e a Joyce fez o procedimento. 8 cm de dilatação e ela me perguntou “O que isso significa para você?” respondi “Mais 2 horas o bebê nasce”. Não era o momento de ir para o hospital, o bebê já estava nascendo e precisava renovar minhas energias e ajuda-lo a nascer.

Fui para a piscina e agora sim as dores vieram com toda força, duas horas na piscina sentido muita dor e muito desconforto, ali perdi a noção do tempo e me concentrava em administrar a dor que variava de forte a muito forte. Num momento senti muita vontade de fazer xixi insisti que queria ir ao banheiro, li e reli sobre o expulsivo mil vezes e naquela hora não reconheci esta etapa. As meninas me levaram ao banheiro, a cabeça já encaixada não permitiu que eu fizesse meu xixi, com o movimento da saída da banheira o expulsivo veio com tudo. Eram contrações fortíssimas, eu tremia, sentia toda aquela energia, o corpo inteiro focado naquele processo. Não queria me movimentar e nem sair da privada para voltar à piscina, então as meninas colocaram um banquinho de parto no chuveiro, me levaram para lá e após 40min de um expulsivo intenso às 17:11h do dia 05 de novembro nasceu Pedro pelas mãos do Hugo e entregue para mim.

Alívio total das dores! Bebê lindo e saudável no colo começaram os procedimentos de estabilização da mãe e do bebê. Mãe totalmente confusa com os fatos e com a adrenalina as alturas, não parava de falar e perguntar sobre o processo todo, trocava a ordem dos eventos, ria com as meninas, bebê mamando muito e chorando muito pouco. Laceração pequena, nada de pontos, sangramento controlado, bebê estabilizado, 22:30h as meninas nos deixam sozinhos. Pedro dormiu muito naquela noite eu e o Hugo dormimos pouco, estávamos apaixonados, ele era o bebê mais lindo do mundo!

O marido fez muita coisa além de receber o Pedro e roncar muito durante a noite, me ajudou com as massagens, cozinhou para as enfermeiras, encheu a piscina, cuidou dos cachorros da casa, de mim e do bebê. Apoio total com amor delicado e profundo. Recebeu o título de parteiro pelas enfermeiras!

Da equipe que nos acompanhou Joyce, Juliana, Fran e Morgana nunca conseguirei escrever ou resumir o que senti naquelas horas, foi uma dedicação intensa de uma sensibilidade única. Senti-me segura, acolhida, abraçada. Na cama com o Pedro no colo e todas elas ao meu redor senti um circulo de energia muito forte, ali senti e entendi aquele tão falado sagrado feminino e foi emocionante. Cecília e Letícia também nos ajudaram nas consultas anteriores ao parto e no pós-parto. Sinto por todas uma eterna gratidão.

Janeiro de 2018, decidimos tentar nossa segunda gestação. Já conseguia dormir melhor, Pedro estava crescendo rápido, me sentia segura para tentar de novo. Na primeira tentativa engravidei, com resultado de farmácia em mãos senti o peso da decisão e confesso que por uns dias fiquei bastante preocupada. Sem apoio de familiares na cidade, daria conta de mais um bebê?

Com a rotina totalmente voltada ao Pedro, não fazia nenhuma atividade física, com muito esforço consegui colocar uma hidroginástica no calendário, foi a única coisa que consegui fazer. Continuamos com o mesmo médico gente boa da primeira gestação. Nossas consultas eram sobre viagens e política, no mais eu estava sempre linda, como ele dizia. A gestação passou voando no meio da correria de se cuidar de uma criança ainda pequena e de uma casa muito diferente daquela antes de ter filho.

Com 38 semanas de gestação pedi meu afastamento do trabalho imaginando que com 39 semanas já estaria com meu novo bebê no colo. Meu irmão veio passar uns dias comigo para ajudar com o Pedro. Os dias foram passando e o trabalho de parto iniciou com 41 semanas e 4 dias. Pelo médico a indicação era uma indução com 41 semanas, dei um sorriso e disse que voltaria para buscar o encaminhamento, desde essa consulta não nos encontramos mais. Consegui descansar algumas semanas antes do bebê nascer, o que foi muito bom.

Com 30 semanas começamos nosso acompanhamento com a Mari e Juliana, na correia não fizemos nada do que elas nos pediram, não fizemos plano de parto, não visitamos maternidades, não arrumamos mala de maternidade, continuamos com nossa extrema tranquilidade agravada pelo cansaço da rotina diária.

As consultas eram mais rápidas que as da primeira vez, já não tínhamos muitas dúvidas, foram consultas para nos conhecermos e criarmos os laços de confiança e amizade. O Pedro participou de todas, auscultava o bebê, pedia colo, não entendia muito bem o que aquelas meninas faziam aqui em casa. No dia da pintura da barriga a Juliana ganhou o Pedro que sempre perguntava sobre a sua bolsa com as tintas. Elas nos atualizaram das novas evidências cientificas e novos protocolos do parto domiciliar e desta vez acreditei em tudo sem pesquisar mais nada, não tive um minuto nesta gestação para sentar e pesquisar as novidades sobre o tema.

Em todas as consultas dizia que como seria o segundo parto seria rápido, mesmo sabendo que nem sempre pode ser assim. Já havia decidido que neste trabalho de parto eu me movimentaria mais, sentaria menos e tentaria ajudar o bebê para que o parto fosse mais rápido.

23 de outubro de 2018, ente 7h e 7:30h começo a sentir um ritmo nos pródomos (mesmo horário da primeira vez) e um sentimento que a hora havia chegado. Pedi ao marido para não ir ao trabalho, não quis ir buscar o Pedro na escola e passei o dia em casa, arrumando coisas, descansando e sentindo o trabalho de parto começar. Às 15h comecei a sentir contrações com um pouco de dor no abdômen, liguei para as meninas que me orientaram tomar banho e ver oque aconteceria. Só consegui entrar nesse banho às 23h da noite, quando Pedro foi dormir. Mesmo em trabalho de parto cumpri toda a rotina de jantar, banho, leitura, com a ajuda do marido claro, mas acho que precisava colocar ele para dormir para assim então me concentrar no novo nascimento.

Às 00h falei com as meninas que havia saído do banho e as contrações estavam um pouco mais fortes e as dores agora eram no abdômen e nas costas, a Jú disse que estava vindo me avaliar. Achei que passaria a noite toda em trabalho de parto (como foi da primeira vez) e confesso que naquele momento até achei desnecessária a vinda dela, queria que ela descansasse para me ajudar no dia seguinte. Como da primeira vez o trabalho de parto ativo começou entre 00h e 01h.

Cachorros latindo, a Jú chegou, não acordem o Pedro pensei. A Jú me avaliou, tranquilamente sentou no chão do meu quarto e ficou a me observar. Ali já senti um incômodo maior, queria uma bola de Pilates para sentar, mas desta vez eu não tinha. Cachorros latindo de novo e a Jú me informa que a Mari e a Camila haviam chegado. Fiquei com pena da Mari, veio do Campeche até aqui em casa para acompanhar um parto que demoraria muito ainda, disse para a Jú que era desnecessário e ela com toda calma afirmou que toda a equipe estava a disposição para me ajudar, ficariam até o bebê nascer.

Desconforto, peço para apagar luzes e desligar a música, sinto uma certa irritação com o movimento no quarto para encher a piscina, peço que eles se apressem, pois quero entrar na água. Ufa que alivio, água quentinha, silencio, quarto escuro, me lembrei das melhores posições dentro da piscina, a cada contração, muito movimento e dor. Fiz muitos cochilos naquela piscina entre as contrações, já comecei a perder a noção do tempo.

A cada contração Hugo ajudava com as massagens e nos intervalos também cochilava. Jú veio auscultar o bebê e percebo que o coração já está batendo bem perto da minha virilha, penso que o bebê está baixo e fico feliz em pensar que o trabalho de parto está evoluindo.

Contrações fortes, dores fortes, até que veio um contração muito muito forte, decidi me ajoelhar na piscina, quase chorei com a dor, abri os olhos e vi que ainda era noite, imaginei que ficaria sentindo aquelas dores por todo o dia. Pensei no Pedro e como seria quando ele acordasse. Mais uma contração fortíssima, vontade de fazer xixi e senti o bebê nascer. Avisei o Hugo “Querido o bebê está nascendo” as meninas entraram no quarto e já pude colocar a mão na cabeça do bebê. Disse que sentia muita dor, as meninas pediram calma, lembrei que seria só mais uma contração, a contração veio empurrei e o Hugo segurou o bebê e me entregou. Isabel nasceu às 5h da manhã. Foram somente 4h de trabalho de parto ativo, 3 contrações de expulsivo, nada de laceração, períneo intacto.

Isabel uma bebê fofa, gordinha, esperta assim como o Pedro havia nascido. Às 5h e 10min Pedro acorda e junta a nós na cama para observar a Isabel e a minha estabilização. Vê a placenta nascer, me olha com espanto e pergunta “Doí mamãe” digo que não dói nada, ele se acalma e quer saber tudo sobre aquilo. Todos no quarto muito tranquilos, ele não tinha motivo nenhum para se desesperar, então manteve a calma e a curiosidade.

Como foram poucas horas administrando a dor, não fiquei tão confusa quanto da primeira vez. Me pareceu um parto mais racional e mais controlado. Estava cansada de não ter dormido e não de ter passado por um parto. Me sentia ótima e com muita energia.

Mari, Juliana e Camila me ajudaram com o banho e com outras coisas, perto das 12h foram embora descansar.

Novamente fui cuidada, acolhida, abraçada com carinho e amor, mais um circulo do feminino sagrado se fez e sou eternamente grata por isso.

O nascimento das crianças foram especiais. Na simplicidade eles puderam ser recebidos com carinho, sem intervenções, com pessoas focadas neles e em mim. Queria que todas as crianças no mundo pudessem nascer assim e que todas as mães do mundo pudessem parir assim.


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